sexta-feira, 7 de junho de 2013

Alexandre, Napoleão, Hitler e Stálin


Alexandre, Napoleão, Hitler e Stalin.
Conquistadores, estadistas, homens à frente de exércitos que dominaram a terra.

Mas há algo mais que aproxima esses homens históricos.

Alexandre, conquistador dos gregos, nasceu na Macedônia.
Napoleão, imperador dos franceses, nasceu na italiana ilha da Córsega.
Hitler, o Fuhrer alemão, nasceu na Áustria.
Stálin, a mão-de-ferro dos sovietes russos, nasceu na Geórgia.

Não há quem tenha espalhado mais a cultura helênica pelo mundo do que Alexandre. A Macedônia era para o restante dos gregos nada mais que um território de bárbaros do norte. E ainda assim foram Felipe II e seu filho, Alexandre, os “bárbaros”, que valorizaram e divulgaram ao globo a apurada arte e cultura gregas. Dizem que Alexandre sempre carregou remorso por ter destruído Tebas; sentia-se triste por ter arrasado uma joia helênica.

Bonaparte nasceu Napoleone di Buonaparte. Nome de origem italiana, assim como de ascendência italiana era sua família. Aliás, a Córsega, sua terra natal, sempre foi território de Gênova, sendo posteriormente transferida à França. Napoleão foi jovem para a Escola Militar de Paris, e lá adotou o Napoleão ao invés do Napoleone. O fim da história é conhecido. O corso se tornou imperador dos franceses e combateu para a magnífica glória da França.

Hitler era austríaco. Nascido em Braunau am Inn, passou a juventude transitando por Viena. Na Primeira Guerra, quando lutou no exército alemão, não pode ascender na hierarquia além de cabo, patente mais alta para um estrangeiro. E foi esse mesmo homem que anos depois acumulou todos os poderes na Alemanha com um discurso de pureza racial. É certo que Hitler pregava a supremacia da raça ariana, que incluía os povos germânicos da Áustria. Mas não deixa de causar estranheza que o Fuhrer da Alemanha era austríaco.

Nas montanhas do Cáucaso, próximo à Turquia, nascia aquele que seria o comandante de maior expressão da União Soviética. Stalin nasceu na Geórgia, bem distante do coração econômico e social da Rússia. Mesmo vindo de província distante e pobre, Stalin foi o “homem de aço” a dominar de forma implacável o espólio do poderoso Império Russo.

Há de ser mais que coincidência a história desses personagens. Não são apenas comandantes políticos e militares que nasceram distante de seu império. São pessoas que pregaram e cultivaram um nacionalismo radical a despeito de sua origem controvertida. Interessante o modo como a questão da nacionalidade foi componente crucial de suas trajetórias políticas.

Arriscando uma inferência psicológica, parece que esses casos de grandes homens revelam algo comum no cotidiano de milhares: necessidade de aceitação em grupo. É a velha história da criança desprezada na escola que passa a vida escolar inteira tentando provar para os outros como ela é legal e pode fazer parte do grupo dos populares.

O jovem e bárbaro macedônio provou que tinha coragem e cultura para conquistar o mundo antigo. O menino semi-italiano da Córsega escondeu sua biografia para mostrar que tinha no sangue o requinte de um francês. O austríaco sem ocupação fixa conseguiu provar aos alemães que todos podiam fazer parte de uma só comunidade germânica, pura e destinada à glória. O georgiano pobre suplantou os eslavos do lado de cá dos Montes Urais para comandar o maior país do mundo.

São histórias políticas marcadas pela tentativa de provar para os outros que seu sangue tem tanto valor quanto o de seu “povo”. Alexandre, Napoleão, Hitler e Stalin. Conquistadores, estadistas e crianças querendo mostrar para sua turma que também podem fazer parte do grupo dos populares.

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